segunda-feira, 4 de abril de 2011

Pensamentos curtos

Dê mais chances, só assim, poderei execrar
meus desejos mais profundos ; estúpido sentimento de vaidade
tenebrosa. Posso dizer que gostei,
que desejei, mas se mentir que amei tudo
seria melhor.
                                                  Felipe Soares...

Para vocês que não crêem no Samba do Grande Amor

Soneto III

O dia amanheceu alegre, verdejante
exalando alegrias nas plantas orvalhadas
e respirando a fumaça da esperança almejante
que meu corpo expurgue a solidão marejada.

Fundida na dura carne revoltosa
de surras enérgucas das paixões serenas
rubros rios rolam pela costa arenosa
e forma o lago informal de lágrimas apenas

A manhã estava alegre, transformou-se em cinza
na luz dos olhos reflete a triste tinta
que disfarça o sal das faces

Revelam em mim um sorriso ilusório
que não existem na realidade
aliás, anjo sagaz, caído na infernidade
                                                         Felipe Soares

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Poesias avulsas

Conclusão

Se me ponho, depois de tudo, a pensar que está morto
poderia sugerir a mim um certo conforto
pois pelo caminho que a morte lhe conduz
saberia que dentro da minha alma estás fora.
Já não era sem hora
mas veja que no fim do caminho há luz.

Agora te considero um mortal veneno
sei que queres se afastar, eu entendo
sua meninice te impede de ser versátil
mas não tira de teu corpo aquele fulgor
que emanou tanto fogo em noites de amor
hoje, não passa de uma lembrança retrátil.

Lembranças que escreverei em meu livro
da vida vida vadia que levei. A você me refiro
como o homem triste que atravessou a porta
bateu-a e o rugido deixou-me sem vida.
Sem problemas, é apenas meandros desta lida
Mas não reclames ó Reminiscência morta.

Se pensas que podes voltar a mim: esqueça
quero que por um tempo, longe de mim permaneça
assim evito qualquer eventual fatalidade
deixe-me um pouco no conforto da solidão
só assim repararei seu estrago no meu coração
e quem sabe, por que não? apostar em nossa felicidade.

Felipe Soares

domingo, 16 de janeiro de 2011

Soneto II

Dissolução

Eu te amo sim, mas não haja com presunção
pois eu me renderia e me condenaria a sova
que o amor traz, mas descobri sua traição

Não ouse em pedir perdão ou trazer flores
alma indigna, imoral, inútil e insana
pois depois de você terei mais amores
achas que vou chorar por ti ó doidivanas

O Sol brilha mais intensamente
e o brado do meu coração soa alegremente
e a vida veio e me toma pela mão

Me leva a um claustro onde hei de perecer
na compahia perene da solidão
fazer com que o amor venha a se dissolver.

Felipe Soares

Soneto I

Nunca ou sempre feliz!

Ando a pensar numa estrada escura
sobre minha vida vadia e vadios amores
através de secas lágrimas que perdura
na minha alma cheia de dissabores

Resta nesta estrada a luz fraca da Lua
que me recordas da tua imagem nua
o meu corpo a delirar como um vulcão
mas austera realidade enfim me faz pisar no chão

Penso na maravilha do amor
e na arrogância da solidão
nos momentos de eflúvio ardor

E que não ouse pensar por um triz
que por tudo que passou meu coração
eu perdi a chance de ser feliz.

Felipe Soares

Do amor e outros demônios

          Demônios são todos os seres dotados de carne que nos fazem, através de seu toque sutil, virar um demônio com asas bem bastas, cabelos loiros cacheadinhos, auréola e lira, no começo. A primavera do amor é tão pueril, é como o desabrochar dos lírios com o alvorecer de um Sol que irradia luz a todos os recantos de um coração. Os dias passam-se como minutos, a Lua ilumina mais que o Sol, predomina os idílios e os ilumina como um farol. O sal do mar vem doce para os lábios, o barulho das ondas é o fundo musical, a areia é o picadeiro e o manto da noite é a lona do circo deste pandemônio chamado fogo do amor, vulgo paixão.
          O demônio passa de um estágio primaveril para um estival relativamente rápido - É, rápido para você, mas para o amor fora infinitamente lento. - No período estival o Sol descortina de tal modo, que sua beleza só é visível com a mão sob os olhos, os lírios já estão desabrochados e a preguiça assoma-se a gula nesta fase, exacerbando nos corpos uma certa vaidade, eis intensidade. Noites quentes de verão, caem-se as asas e joga-se fora a auréola, a voluptuosidade emana na alma e a embebeda de terceiras intenções, descobre-se que o mar é salgado a areia é fina e as ondas são nostálgicas.
           E o infinito da lentidão torna-se visível, o outono se a aproxima o frio se apronchega, as rosas fecham-se, as folhas caem, o sal do mar é ardoso, a areia é movediça e as ondas são barulhentas demais, os passos são largos, os dias são meses, a pele é propensa a cicatrizes, sobre o dossel do amor naum há uma fogueira como outrora, em vez disso há ralas brasas. A garganta cria nós, a rotina se torna um professor cruel e nos acostumamos com ele, afinal nos acostumamos com tudo que é infortúnio... As estrelas apagam-se com as nuvens, não só as estrelas, mas o brilho dos olhos que sufocam os soluços do coração também.
           Um triste espetáculo quando o demônio toma sua forma final; a parte hibernal (minha velha conhecida), nos mostra o que de fato é demoníaco: o passado e o amor, nos avisando que o infinito tem fim que o "pra sempre" nunca é sempre, que o mar dissolve tudo, a areia é dura como rocha, e as ondas são feias e grosseiras, a noite é breu, os nós da garganta destaram; a porta bateu quando foi embora e ruiu tanto que abriu uma ferida em mim e as lágrimas de sangue envolveram meu angelical corpo de demônio num claustro de mágoas. - Me deixe em paz! - O dossel virara um esquife de gelo, a rotina virou solidão, a tempestade é furação, os dias são milênios, o Sol queima, o relógio não mostra nada, as cinzas perfumam e as rosas ainda enfeitam com triste beleza meu túmulo, o belo é fúnebre, a festa é enterro a voluptuosidade é condenação e caem estrelas, não há sensações, há gritos mudos, lágrimas ocultas, há uma dor a dilacerar, Pois o amor nunca é tão cruel quando pensas que vai acabar.

                                            Felipe Soares Cardoso, vítima de um demônio chamado amor


P.S: A felicidade, o amor e outros demônios estão a um riso de distância, abra a porta, deixe entrar.
       Pode ser que passe o nosso tempo como qualquer primavera, espera. Me espera, eu vou voltar.

Trocando em Miúdos

Trocando em Miúdos 
Chico Buarque
Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim
Não me valeu
Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim?
O resto é seu

Trocando em miúdos, pode guardar
As sobras de tudo que chamam lar
As sombras de tudo que fomos nós
As marcas de amor nos nossos lençóis
As nossas melhores lembranças
Aquela esperança de tudo se ajeitar

Pode esquecer
Aquela aliança, você pode empenhar
Ou derreter

Mas devo dizer que não vou lhe dar
O enorme prazer de me ver chorar
Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago
Meu peito tão dilacerado
Aliás
Aceite uma ajuda do seu futuro amor
Pro aluguel

Devolva o Neruda que você me tomou
E nunca leu
Eu bato o portão sem fazer alarde
Eu levo a carteira de identidade
Uma saideira, muita saudade
E a leve impressão de que já vou tarde