Demônios são todos os seres dotados de carne que nos fazem, através de seu toque sutil, virar um demônio com asas bem bastas, cabelos loiros cacheadinhos, auréola e lira, no começo. A primavera do amor é tão pueril, é como o desabrochar dos lírios com o alvorecer de um Sol que irradia luz a todos os recantos de um coração. Os dias passam-se como minutos, a Lua ilumina mais que o Sol, predomina os idílios e os ilumina como um farol. O sal do mar vem doce para os lábios, o barulho das ondas é o fundo musical, a areia é o picadeiro e o manto da noite é a lona do circo deste pandemônio chamado fogo do amor, vulgo paixão.
O demônio passa de um estágio primaveril para um estival relativamente rápido - É, rápido para você, mas para o amor fora infinitamente lento. - No período estival o Sol descortina de tal modo, que sua beleza só é visível com a mão sob os olhos, os lírios já estão desabrochados e a preguiça assoma-se a gula nesta fase, exacerbando nos corpos uma certa vaidade, eis intensidade. Noites quentes de verão, caem-se as asas e joga-se fora a auréola, a voluptuosidade emana na alma e a embebeda de terceiras intenções, descobre-se que o mar é salgado a areia é fina e as ondas são nostálgicas.
E o infinito da lentidão torna-se visível, o outono se a aproxima o frio se apronchega, as rosas fecham-se, as folhas caem, o sal do mar é ardoso, a areia é movediça e as ondas são barulhentas demais, os passos são largos, os dias são meses, a pele é propensa a cicatrizes, sobre o dossel do amor naum há uma fogueira como outrora, em vez disso há ralas brasas. A garganta cria nós, a rotina se torna um professor cruel e nos acostumamos com ele, afinal nos acostumamos com tudo que é infortúnio... As estrelas apagam-se com as nuvens, não só as estrelas, mas o brilho dos olhos que sufocam os soluços do coração também.
Um triste espetáculo quando o demônio toma sua forma final; a parte hibernal (minha velha conhecida), nos mostra o que de fato é demoníaco: o passado e o amor, nos avisando que o infinito tem fim que o "pra sempre" nunca é sempre, que o mar dissolve tudo, a areia é dura como rocha, e as ondas são feias e grosseiras, a noite é breu, os nós da garganta destaram; a porta bateu quando foi embora e ruiu tanto que abriu uma ferida em mim e as lágrimas de sangue envolveram meu angelical corpo de demônio num claustro de mágoas. - Me deixe em paz! - O dossel virara um esquife de gelo, a rotina virou solidão, a tempestade é furação, os dias são milênios, o Sol queima, o relógio não mostra nada, as cinzas perfumam e as rosas ainda enfeitam com triste beleza meu túmulo, o belo é fúnebre, a festa é enterro a voluptuosidade é condenação e caem estrelas, não há sensações, há gritos mudos, lágrimas ocultas, há uma dor a dilacerar, Pois o amor nunca é tão cruel quando pensas que vai acabar.
Felipe Soares Cardoso, vítima de um demônio chamado amor
P.S: A felicidade, o amor e outros demônios estão a um riso de distância, abra a porta, deixe entrar.
Pode ser que passe o nosso tempo como qualquer primavera, espera. Me espera, eu vou voltar.
P.S: A felicidade, o amor e outros demônios estão a um riso de distância, abra a porta, deixe entrar.
Pode ser que passe o nosso tempo como qualquer primavera, espera. Me espera, eu vou voltar.
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